METEOROS
Pico da chuva de meteoros Gemínidas: as melhores noites e para onde olhar
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As Gemínidas, a mais confiável das grandes chuvas de meteoros anuais segundo a Organização Internacional de Meteoros (IMO), têm o pico previsto para 14 de dezembro, por volta de 14:00 UTC. No Brasil esse horário cai em pleno dia, com o radiante — o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair — abaixo do horizonte. Mas, nas duas últimas décadas, em alguns anos o máximo ocorreu até 17 horas antes do previsto; por isso, a melhor aposta é a noite de 13 para 14 de dezembro.
Qual noite escolher
A taxa só fica alta (ZHR de 100 ou mais; veja “O que você vai ver”) durante 10 a 12 horas em torno do máximo. Segundo a IMO, nas duas últimas décadas os máximos bem observados ocorreram entre cerca de 17 horas antes e 4 horas depois do horário previsto. Em 2026, isso quer dizer qualquer momento entre 21:00 UTC de 13 de dezembro e 18:00 UTC do dia 14.
Em São Paulo, o radiante só nasce por volta de 00:10 UTC do dia 14 e se põe por volta de 09:58 UTC, quando já é dia claro. Todo esse intervalo fica dentro da janela, mas antes do pico previsto, que no Brasil cai em pleno dia; a melhor parte é a madrugada, quando o radiante está mais alto e o pico, mais perto. Na noite seguinte, o radiante só volta a nascer por volta de 00:06 UTC do dia 15, quando a janela já se fechou. Ainda vale uma olhada, mesmo com a taxa em queda, porque a IMO observa que as Gemínidas brilhantes ficam mais frequentes no fim do máximo. Para comparar: na Europa, a noite de 13 para 14 cai quase toda dentro da janela, com o radiante alto, e, na costa oeste da América do Norte, ela termina cerca de uma hora antes do máximo previsto.
Para onde olhar
As Gemínidas podem aparecer em qualquer parte do céu, mas, se você prolongar os rastros para trás, todos levam a um mesmo ponto, o radiante. Ele fica perto de Castor, uma das duas estrelas brilhantes de Gêmeos; a outra, um pouco mais brilhante, é Pollux.
Visto do Brasil, o radiante fica na parte norte do céu. Em São Paulo (23,5° S), ele nasce a nordeste por volta de 00:10 UTC de 14 de dezembro, passa dos 10° de altura por volta de 01:06 UTC e chega ao ponto mais alto por volta de 05:02 UTC — só 33° acima do horizonte norte. Entre o pôr do sol, por volta de 21:45 UTC do dia 13, e o nascer do radiante, ele ainda está abaixo do horizonte. Nas latitudes médias do hemisfério norte é diferente: lá o radiante nasce perto do pôr do sol e sobe muito mais — em Londres (51,5° N), até 71°. Quanto mais alto o radiante, mais meteoros você vê, então em São Paulo as horas que valem são as da madrugada.
Não é preciso olhar para o próprio radiante: os meteoros perto dele deixam rastros curtos, e os mais distantes, rastros mais longos. Olhe para a parte mais escura do seu céu, mais ou menos a meia altura entre o horizonte e o zênite. O mapa do céu do SkyFlux mostra a posição do radiante no céu do lugar onde você está.
No hemisfério sul, as Gemínidas rendem menos. O radiante fica 33° ao norte do equador celeste, então, quanto mais ao sul, mais baixo ele culmina: em São Paulo, a 33°, pouco menos da metade da altura que alcança em Londres; em Sydney (34° S), a 23°; e ao sul de 57° S ele nem chega a nascer. Mais perto do equador, como no Norte e no Nordeste do Brasil, ele sobe bem mais. Com o radiante a 33°, a taxa fica em pouco menos de dois terços da que se teria com ele a 60°. E o pico previsto, que no leste da Austrália cai à noite, cai no Brasil em pleno dia.
O que você vai ver
A IMO atribui às Gemínidas uma ZHR (taxa horária zenital) de 150: o número de meteoros que um único observador contaria em uma hora sob um céu perfeitamente limpo, com estrelas visíveis até a magnitude 6,5 e o radiante no zênite. As contagens reais são menores, sobretudo por causa do brilho do céu: no caso das Gemínidas, cada magnitude a menos no limite de visibilidade — cada faixa de estrelas mais fracas que a poluição luminosa apaga — divide a contagem por cerca de 2,6. No pico, com o radiante a 60° de altura, sob um céu suburbano que mostra estrelas até a magnitude 5,5, dá para ver cerca de 50 meteoros por hora; sob um céu de cidade, mais iluminado, uns 30; e sob um céu rural escuro, uns 80. Em São Paulo, onde o radiante não passa de 33°, sob os mesmos três céus seriam cerca de 30, 20 e 50 meteoros por hora. E essas são taxas de pico: a melhor hora em São Paulo, por volta de 05:00 UTC, fica cerca de 9 horas antes do pico previsto, então espere menos, a não ser que o máximo venha adiantado.
As Gemínidas entram na atmosfera a 35 km/s, mais devagar que as Perseidas (59 km/s), e por isso parecem bem mais lentas. A chuva é conhecida pelos meteoros brilhantes e pelos bólidos.
A Lua estará em fase crescente, com 19% a 27% do disco iluminado. Em São Paulo, ela se põe por volta de 01:20 UTC do dia 14 e de 01:50 UTC do dia 15; depois disso, o céu fica sem Lua e totalmente escuro até por volta de 06:50 UTC, quando começa a clarear.
Uma chuva que vem de um asteroide
Você sabia?A maioria das chuvas de meteoros vem de cometas; as Gemínidas vêm do asteroide 3200 Faetonte, que tem cerca de 6 km de diâmetro. Ele passa a 0,14 unidade astronômica (cerca de 21 milhões de km) do Sol — menos da metade da menor distância entre Mercúrio e o Sol. Perto do Sol, Faetonte exibe uma cauda curta, e em 2023 observatórios solares mostraram que ela é feita de gás de sódio, não de poeira. O que fez Faetonte soltar tanta poeira ainda é um mistério.
Fontes e licenças
- Calendário de Chuvas de Meteoros 2026 da IMO (J. Rendtel, ed.) — Máximo em 14 de dezembro, 14h UT (λ☉ 262,2°), ZHR 150, atividade de 4 a 20 de dezembro, radiante α 112° δ +33°, V∞ 35 km/s, r 2,6, janela dos máximos de 13 de dezembro, 21h, a 14 de dezembro, 18h UT, ZHR acima de 100 durante 10 a 12 horas, Gemínidas brilhantes no fim do máximo, Lua crescente no máximo, definição de ZHR. O PDF não está mais no imo.net (site em reconstrução, 17 de outubro de 2026); cópia idêntica arquivada: https://web.archive.org/web/20251223170423/https://imo.net/files/meteor-shower/cal2026.pdf
- Ryabova & Rendtel 2017, MNRAS Letters, doi:10.1093/mnrasl/slx205 (arXiv:1712.01516) — Fórmula da ZHR com o fator de brilho do céu r^(6,5−LM) e o fator de altura do radiante sen h (eq. 4); r = 2,6 durante a maior parte do período de atividade das Gemínidas. https://arxiv.org/abs/1712.01516
- JPL Horizons (NASA/JPL) — Fração iluminada e altura topocêntrica da Lua e altura do Sol, calculadas em 17 de outubro de 2026; para São Paulo, pôr da Lua, horários do Sol e altura e direção de Júpiter e Marte, calculados com o JPL Horizons em 19 de outubro de 2026. A altura e os horários do radiante sobre São Paulo são cálculo próprio, a partir da posição do radiante dada pela IMO (α 112°, δ +33°). https://ssd.jpl.nasa.gov/horizons/
- JPL Small-Body Database — Órbita e diâmetro de 3200 Faetonte (q 0,14 UA, diâmetro 6,25 km). https://ssd.jpl.nasa.gov/tools/sbdb_lookup.html#/?sstr=3200
- NASA Science: Geminids — Faetonte como corpo de origem; a maioria das chuvas vem de cometas. https://science.nasa.gov/solar-system/meteors-meteorites/geminids/
- SIMBAD (CDS, Estrasburgo) — Posições e magnitudes de Castor (alf Gem) e Pollux (bet Gem). https://simbad.cds.unistra.fr/simbad/
- NASA NSSDC, ficha técnica de Mercúrio — Distância de Mercúrio ao Sol no periélio (46,0 milhões de km = 0,31 UA). https://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/factsheet/mercuryfact.html
- NASA, 25 de abril de 2023: a cauda de aspecto cometário de um asteroide não é feita de poeira — A cauda de Faetonte é de gás de sódio (SOHO/STEREO); suspeita-se de um evento de ruptura há alguns milhares de anos, que “continua um mistério”. https://www.nasa.gov/solar-system/asteroids-comets-meteors/asteroids/asteroids-comet-like-tail-is-not-made-of-dust-solar-observatories-reveal/



